terça-feira, 2 de outubro de 2012

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Eu nunca estudei os usuários de drogas.
Nunca estudei os moradores de rua e nem os presos.
Eu estive entre eles.
Como o ébrio escritor carioca, o pintor dos girassóis, o escritor americano e o poeta luso.
Por isso sei o que é sê-los e tenho por eles grande respeito.
Compartilho das suas dores, tristezas, desprezo, desespero.
Solidarizo-me com as suas misérias, fracassos, perdas, angustias.
Solidarizo-me por ser homem; apenas.
Porque é tudo o que resta ao final.
Ou talvez nem isso.
Qual é a medida do homem?
Se não sei o que sou que saberei sobre isso?
O poeta inglês talvez esteja certo: Quintessencia do pó.
Só sei que o homem não é uma ilha.
Só sei que não há sentido em nada e nem o que o valha.
Suportei apenas o meu fardo.
Fracassei em tudo.
Como homem, esposo, pai, filho, irmão, amigo, cidadão, intelectual.
Perdi tudo, em tudo.
Fui até o fundo e as ultimas consequências.
É na queda que se descobre a grandeza.
É na insanidade que se percebe a miséria da lucidez.
É na derrota que se vislumbra a mediocridade da vitória.
É na escuridão que se desdenha as luzes.
Não sou nada.
Não posso querer nada.
Por isso nada temo.
Tenho o chão aos meus pés e as estrelas sob a cabeça.
Chegará o dia em que terei o contrário.
O peito vazio e os olhos secos.
Só preciso de paz e vou encontrá-la.






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