domingo, 21 de abril de 2013

Revolucionários - parte I



"Quando o governo viola os direitos do povo, a insurreição é, para o povo e para cada porção do povo, o mais sagrado dos direitos e o mais indispensável dos deveres" Babeuf

Eric Hobsbawn afirmava que o século XIX foi o mais longo da história recente, iniciando-se com a Revolução Francesa – ou seria a americana? – e terminando com a Grande Guerra (1914-1918). Revolucionários é também o título de um seu livro, mas, não é disso que trata estas linhas. Penso nos homens e a historia. Nas revoluções e os seus artífices e mártires.
Na França, desde fins do século XVIII as ruas assaltam o poder.  A história burlesca pinta de sangue a Revolução e o período que se inicia em 1793 – “Terror.” O sans-culotismo era radical demais para a burguesia aristocrática. As atrocidades cometidas nas guerras, pela igreja e a nobreza não aterrorizavam porque não atingiam a aristocracia. O sangue do pobre não aterroriza. Maior que o “terror” despertado pela guilhotina era o horror pelo Terceiro Estado e a Comuna Insurrecional de Paris. Pela igualdade política, poder popular e o reconhecimento de direitos estabelecidos pela Constituição Jacobina de 1793 – educação e assistência publicas, sufrágio universal (homens maiores), reforma agrária, fim da escravidão nas colônias, lei do máximo e do mínimo, tribunal revolucionário.  
O golpe de Estado armado pela alta burguesia financeira que viria a seguir – Reação Termidoriana – decretaria o fim da participação popular no movimento revolucionário, extinguindo o partido jacobino, executando de forma sumária os seus principais lideres – Robespierre, Saint-Just -, abrindo caminho para a ditadura de Napoleão. Por outro lado, a violência do golpe impõe a resistência e novas lideranças e estratégias de organização e luta das classes populares. Assim, em 1794 Babeuf funda “A Tribuna do Povo” - inspirado no “Amigo do Povo” de Marat – e, em 1795 a Sociedade dos Iguais, defendendo abertamente a "insurreição, a revolta e a constituição de 1793". No Club électoral - clube de discussões dos sans-culottes - fala em favor das mulheres, defendendo o seu ingresso na política. Atacava numa perspectiva socialista as ações econômicas da Revolução. Na prisão conhece revolucionários radicais e terroristas – como Lebois, editor do  Jornal da Igualdade e do  Amigo do Povo. Quando sai da prisão é um revolucionário terrorista, convicto de que quem não tem o direito de interferir ou participar da vida publica e política - os pobres - também não estão obrigados a cumprir a lei e a servir o Estado. Essa posição leva-o a criar com o italiano Buonarroti a Sociedade dos Iguais – socialistas e jacobinos - conspirando contra o governo, com o objetivo de continuar a Revolução, garantir a coletivização das terras em busca da "igualdade perfeita" e do "bem comum". Preso por conspiração em 1796, afirmava apenas cumprir o artigo 35 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 93. Foi guilhotinado no ano seguinte.
Pelos seus ideais socialistas, Marx considerava Babeuf o “primeiro comunista ativista” e a Sociedade dos Iguais o "primeiro partido comunista". Rosa Luxemburgo considerava-o "o primeiro precursor dos levantes revolucionários do proletariado." Estava aberto o caminho para os revolucionários que construiriam as sociedades e entidades de luta dos pobres e do proletariado nos séculos XIX e XX.



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