sábado, 4 de janeiro de 2014

Existência.

"O que foi, torna a ser. O que é, perde existência. O palpável é nada. O nada assume essência."  Goethe

Eu penso sobre a razão da existência das coisas. Que sou eu quem nada poderia ter sido e não fui. O homem sem fim, o homem de papel, o homem de vidro. Um amontoado de pó, água e ar.  Não. Eu não faço versos, eu logro com as palavras. A verdade trago na face. Não sou poeta. Não quero ser poeta. Não pareço poeta. Não posso parecer poeta. Não faço versos pra poetas. Eu recuso a poesia e abomino os poetas! Não, meu verso não é curto, objetivo, palatável. Nem é verso ou reverso. Não importa o que sou ou sinto ou que fosse e sentisse. Não posso calcular o tempo, a vida, o valor de nada. Que importam o calculo e a medida? Quem calcula e mede que o faça. Quantos versos produzem um poeta? Quantos livros fazem um escritor? Quantas palavras bastam pra dizer algo? Quantos dias faz um homem? Quanta vida cabe num dia? Os meus olhos nada dizem porque não veem. A luz ofusca. A memória não precisa do tempo. O tempo é um vagabundo sorrateiro! É um escândalo que se atrevam a pensar nele! É um escárnio algo medíocre, extravagante, frívolo e excêntrico. A cabeça vazia, o peito frio, os pés fincados a terra, olho pras minhas mãos firmes e tenho a certeza de que estou aqui. E que há algo de tudo em mim. E o nada que sou ou poderia ter sido paira sobre mim como a derradeira certeza da existência.    

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